segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A BOA NOTÍCIA DE UM REINO[3]


- Deus como Abba e a filiação divina



No coração e no âmago do Amor anunciado por Jesus encontramos o núcleo definitivo do Reino: O Deus-Rei é um Abba! Com efeito, os discípulos foram reconhecendo progressivamente em Jesus a novidade de Deus ser um Papá, quer na sua intimidade de oração, quer também na entrega incondicional à Sua Vontade. Viam-no como uma “criança de peito” que se abandonava no colo de um Paizinho, cheio de segurança e ternura. E era assim, movidos por um fascínio irresistível, que aproximavam-se dele formulando este desejo: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11, 1)

O profeta de Nazaré nunca se entende a si mesmo como o “filho unigénito” porque não guardava nada para si, e muito menos a experiência do seu Abba. Por isso, para ele o Abba não é “meu”! É “nosso”, e de todos! E isso faz dele o primogénito, o Irmão maior e primeiro a dar-se aos irmãos; primeiro a conduzi-los ao Coração e à casa do Abba; primeiro que convida os discípulos e as multidões à confiança filial no “Pai Nosso”.
Finalmente estamos diante de um Deus que é radical novidade, porque não é dito a partir de um discurso religioso ou um ideal sagrado, mas que se diz e comunica na vida de um homem que age como Filho e como Irmão! Um Deus do Reino que, em Jesus, rasgou o véu de todas as aparências de divina autoridade ou de uma majestade infinita, ávida pela adoração dos seus súbditos. Deus é Abba: um Pai que é Dom total, que comunica o seu Amor a todos, e a todos concede a mesma filiação divina pela qual Jesus vive.

É então a partir do encanto por este Nazareno, que muitos entram na sua intimidade e começam a experimentar o Abba como ele: um “papá babado” e amoroso que desce ao mais íntimo de cada um para o fazer subir a Si. Ao seu colo que é seio maternal e ventre criador para gerar um coração novo e agradecido. Um coração de filho, alegre e generoso; capaz de mover-se e co-mover-se a procurar todos os irmãos a quem Ele ama e deseja também reunir.


Este dom da filiação divina comunicado em Jesus passa assim a ser condição para uma vida nova e transfigurada. O dom que é condição para agirmos concreta e humanamente como Irmãos, e ao mesmo tempo, dom da eleição daqueles de quem me faço próximo: começando pelos mais débeis e marginalizados, curando as feridas dos magoados, consolando os aflitos, e perdoando os inimigos.


É deste Rei, deste Abba donde irrompe o Reino...






- A maravilha de um Reino invencível


É evidente que um Projecto desta envergadura chamado Reino de Deus era tudo menos teórico. Tinha de abalar as fundações de um mundo ainda dominado pelo mal e a injustiça. Tinha de mexer nas consciências e provocar resistências, especialmente quando Jesus o viveu afirmando que era vontade de Deus.

A cruz revela bem que Jesus não foi nem um romântico, nem um herói de ficção que conhece um “final feliz”. O Reino que anunciou e inaugurou como projecto de fundação de uma nova humanidade foi de tal modo concreto e palpável que chocou com as instâncias mais poderosas de seu tempo: o Templo, a Lei farisaica e o poder imperial. Para estas instituições era urgente deter o Reino daquele Nazareno. Um Reino já inaugurado e em marcha que derrubava o seu mundo ao contrário e ameaçava os seus privilégios de domínio.

Porém, ainda que entregue ao poder destes inimigos do Reino, e mesmo crucificado, Jesus confiava que o Abba seria Fiel. E nessa confiança entrega a vida ao Pai. Na morte entrega-a como coroa do Reino que inaugurou e edificou, como que dizendo: “Toma-a, é tua. Contigo ela não há-de se corromper. Ainda que eu morra, o teu Reino prevalecerá!”

Jesus morre, contudo não era o Fim…chegara a hora do Abba intervir! Se Ele não tinha o poder de tirar Jesus das mãos dos seus malfeitores, tinha certamente o poder do Amor, poder de o assumir plenamente em Si! Isso significa que o Abba aceita a coroa! Recebe-a porque apaixonou-se pela vida nela contida, ao ponto de identificá-la com o Reino que desejou desde a Criação do mundo. O Abba ao ressuscitar Jesus aceitou a coroa da sua vida, coroando-o com a própria Vida Divina, e entregou-lhe toda a soberania para o consagrar como Senhor da história.

Deus já não necessita de identificar o Reino com um sonho, ou uma esperança. Ele Identifica-o agora com um Vivente: Jesus ressuscitado! Para o Abba, Jesus é o Reino. A partir de agora, nem o ladrão pode furtar a Coroa, nem a traça já pode corromper o que é incorruptível! O Reino é invencível, imortal, vital, dinâmico, está presente, a acontecer na nossa humanização, aqui e agora, e continua imparável…


O Reino de Deus é hoje Dom da ressurreição de Jesus a acontecer na nossa história. É uma realidade já inaugurada e aberta a uma consumação futura: a sua promessa cumpriu-se, é permanente, ainda não terminou, está na fase dos acabamentos, e continua a necessitar de colaborares, discípulos, Filhos, e Irmãos. É Universal, e por isso além de qualquer religião ou crença, além de qualquer raça ou condição, além de qualquer tempo, a construir-se na liberdade humana, e a brotar de homens e mulheres de Boa Vontade que se unem ao coração e à causa do Ressucitado!



Ei-lo Aí! Para quem o quiser ver e o quiser agarrar! Á mão de semear e à mão de colher...Aí está o REINO a acontecer!

1 comentário:

Mila disse...

É de facto contagiante, a força com que transmites estas palavras!...

Obrigada por ti e por seres uma boa mediação do nosso Papá!!!