terça-feira, 25 de novembro de 2008

A BOA NOTÍCIA DE UM REINO[1]

Esta semana decidi mudar um pouco o programa do costume. Interrompo as minhas reflexões habituais para deixar aqui um tema que muito gosto me deu trabalhar e meditar no último fim de semana de encontro JR: o Reino de Deus. Algo que não nasceu apenas do meu trabalho individual, mas fruto do poço comum da minha comunidade redentorista. Apresento-o assim, na expectativa de saborearem o mesmo gozo que me deu prepará-lo...



Nos tempos do reinado de Herodes, tetrarca da Galileia, apareceu um homem que anunciava a proximidade da última hora, a hora da intervenção definitiva de Deus em Israel. Seu nome era João e pregava um baptismo de purificação que prepararia o povo para a chegada iminente de Deus. Segundo ele, o mundo estava prestes a ser julgado e não bastava ser filho de Abraão (judeu) para escapar a esse juízo. Yahvé viria para destruir os pecadores e somente os que recebessem o baptismo de penitência se salvariam, o dia terrível da Ira de Deus estava próximo:

“O machado já está posto à raiz da árvore: a árvore que não produzir bons frutos será cortada e jogada no fogo.” (Lc 3,9); “Já empunha a pá com para limpar a sua eira: o trigo o recolherá no celeiro, e queimará a palha num fogo inextinguível” (Mt 3,12).

Entre muitos ouvintes de João, encontrava-se um jovem Nazareno que o seguia de perto sentindo-se interpelado pela sua mensagem, e ao escutá-lo, desperta para algo novo que o vai acompanhar até ao fim da sua vida. Jesus não só experimentava no seu íntimo a novidade que terminara o tempo da espera de Israel, como também confiava com uma certeza infalível que o Dia de Yahvé não chegaria como dia
de condenação, mas como dia de misericórdia: Deus está a chegar com um Reino de paz, justiça e alegria! O seu Abba virá, e sem demora, para enxugar as lágrimas do seu povo.


É firmado nesta esperança que Jesus adere à fila dos penitentes e aproxima-se do rio Jordão para receber o baptismo de João. Deixa-se baptizar, não para escapar de uma maldição iminente, senão para se sentir membro do resto fiel, daqueles que aguardavam ansiosamente a vinda libertadora de Yahvé. A partir daquele dia tudo mudou para aquele carpinteiro da Galileia. Sentia-se enviado a proclamar que Deus finalmente viria governar, guardando no coração a profecia de Isaías: Que formosos são sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que apregoa a boa-nova, e que proclama a salvação! Que diz a Sião: “O rei é o teu Deus! (Is 52,7). Jesus inspirou-se na missão de Consolação de Isaías e ele próprio assume-se como mensageiro da Boa Notícia: Deus está connosco como Rei e vem como Salvador de Israel! Enquanto João esperava na intervenção divina, Jesus vai passar a agir para fazê-la cumprir. Para aquele Nazareno chegara o tempo de uma nova criação: o Reino de Deus estava já a acontecer…

1 comentário:

Rui Pedro disse...

É pá, anuncio do Reino!Dizem que faz bem à saude, HIHIHI!
Agora a sério, vamos lá descobrir este anúncio novo de Jesus, esta libertação de Graça! Grande abraço!